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Animais Venenosos Cobras - Aspectos morfológicos e funcionais

Prof. Dr. György Miklós Böhm

A anatomia das cobras é caracterizada pela ausência total de pernas e braços e por um corpo extremamente longilíneo. É interessante como a natureza empacotou todos os órgãos em um tubo tão alongado.

Apesar da ausência de membros, a locomoção das cobras é ágil e rápida. Ademais é muito silenciosa e deixa poucos rastos. Para que a cobra possa rastejar é necessário que esteja sobre uma superfície em que seu corpo possa se agarrar. Assim, este animal é incapaz de progredir sobre uma tábua lisa. Ficará se debatendo inutilmente.

Que se soubesse, todas as cobras são capazes de nadar, porém nenhuma das cobras venenosas brasileiras têm como habitat a água e, por conseguinte, não representam perigo aos banhistas de águas doces ou salgadas.

As cobras têm vísceras que cumprem todas as funções que conhecemos nos mamíferos, como aquelas próprias do cérebro, coração, pulmão (elas só possuem um), fígado, rim, tubo digestivo e órgãos sexuais. Devido ao formato do corpo, os órgão pares (rins, ovários, testículos) não estão em posição simétrica como, por exemplo, em nós, mas um mais a frente do que o outro. As serpentes não têm bexiga, os rins excretam ácido úrico na cloaca que é uma bolsa onde também se esvazia o intestino. Nisto, os ofídios lembram as aves.

O serpente macho tem dois pênis (chamado de órgão intrometente, pois é muito diferente do órgão correspondente dos mamíferos).

"... ?"
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.
.
"Não, o serpente só pode cortejar uma fêmea de cada vez. "

As fêmeas põem ovos ou dão luz a filhotes completamente maduros para enfrentar a existência sozinhos. Na verdade, neste caso, os ovos chegam a termo dentro dos ovidutos da cobra. Portanto, todos as serpentes reproduzem-se por meio de ovos. Jamais têm placenta. Quando efetivamente põem ovos, são chamadas de ovíparas, e quando os ovos eclodem dentro do animal e nascem filhotes, são denominadas de ovovivíparas.

A cabeça da cobra é curiosa. Os olhos estão sempre abertos porque não possuem pálpebras e isto lhes dá um ar severo de extrema atenção.

Talvez fosse esta característica que deu origem
à lenda de que as serpentes hipnotizam.

As pupilas são redondas nos ofídios de hábitos diurnos e são em forma de fenda bem fechada nas de hábito noturno (isto na luz do dia; é claro que a noite, a íris abre e as pupilas ficam redondas).

Nunca há orelhas ou mesmo ouvido interno. Não têm laringe alguma. Portanto, poderíamos dizer que são criaturas surdas e mudas, se não fosse pelo fato de que podem sentir ruídos, através da condução do som pelos ossos da cabeça, e emitir ruídos, como o famoso silvar ou sibilar dos serpentes.

As cobras têm narinas e sentem odores. A língua é bífida (inofensiva; ao contrário da crença popular, não pica) e leva continuamente informações químicas do mundo externo para o órgão de Jacobson, que está no céu da boca. Este é um espécie de aparelho gustativo incrivelmente apurado, muito mais do que o nosso.

Em muitos ofídios venenosos, entre as narinas e os olhos há uma depressão que é a fosseta loreal. Esta parece um orifício de cada lado da cabeça e daí que essas serpentes são popularmente chamados de "cobras-de-quatro-ventas". A fosseta loreal é um órgão termorreceptor vital para a sobrevivência da cobra. É por meio desta que percebe a presença de animais de sangue quente, por exemplo um camundongo ou um passarinho, e garante sua comida.


a seta vermelha aponta para a fosseta loreal

Os ossos da mandíbula são ligados entre si e ao crânio por articulações tipo dobradiça que são extremamente flexíveis. Quando o animal necessita engolir algo que é maior do que sua cavidade bucal normal, ele luxa essa articulação e afasta a sua mandíbula da maxila. É desse modo que uma cobra pequena consegue engolir um ovo de galinha, ou um sucuri, um bezerro.

A dentição é muito importante e é utilizada para fins de classificação das serpentes. Assim temos:

Serpentes áglifas, sem presas no osso maxilar (parte superior da boca) que só possui dentes pequenos.

Serpentes opistóglifas, que têm dentes maiores (pequenas presas) na região maxilar posterior com sulcos mais ou menos esboçados.

Serpentes proteróglifas, que apresentam um par de presas com sulcos, fixas na região anterior do osso maxilar.

Serpentes solenóglifas, que possuem duas presas grandes e móveis, com canais, na região anterior da maxila.
A mobilidade das presas permite que as mesmas fiquem deitadas quando a cobra fecha a boca ou come. De outro modo, o tamanho desses dentes atrapalharia a passagem de alimentos. O veneno está armazenado em glândulas salivares especializadas (G).

Logo mais, falaremos da cauda das cobras e uma boa pergunta que você poderia fazer é:

"onde é que começa a cauda da cobra ?"

A resposta é que se convencionou chamar de cauda a parte do corpo da serpente posterior ao orifício anal.

E com isto chegamos ao fim da anatomia das serpentes.

As "principais cobras venenosas do Brasil" são o assunto do próximo artigo.

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